Sobre o assédio moral

 

Encontrei esse material no endereço: http://www.assediomoral.org/IMG/pdf/cartilha_do_NUCODIS_DRT_SC.pdf

Apesar de não ter me encorajado, ainda,  a denunciar, eu achei muito bom. Principalmente por dar um norte quando me sinto tão presa e perdida.

Amigos de confiança também têm tentado me ajudar, estou em busca de tudo que me faça sair desse buraco. Porque tem dias que fico tão deprimida q só penso besteiras.

Acho que minha algoz é do tipo Tassea e Troglodita.

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Conceito

Assédio moral é toda e qualquer conduta que caracteriza comportamento abusivo, freqüente e intencional, através de atitudes, gestos, palavras ou escritos, que possam ferir a integridade física ou psíquica de uma pessoa, vindo a por em risco o seu emprego ou degradando o seu ambiente de trabalho.

Condutas mais comuns que caracterizam o assédio moral

– dar instruções confusas e imprecisas ao trabalhador;
– bloquear o andamento do trabalho alheio;
– atribuir erros imaginários ao trabalhador;
– pedir-lhe, sem necessidade, trabalhos urgentes ou sobrecarregá -lo com tarefas;
– ignorar a presença do trabalhador na frente dos outros e/ou não cumprimentá-lo ou não lhe dirigir a palavra;
– fazer críticas ao trabalhador em público ou, ainda, brincadeiras de mau gosto;
– impor -lhe horários injustificados;
– fazer circular boatos maldosos e calúnias sobre o trabalhador e/ou insinuar que ele tem problemas mentais ou familiares;
– forçar a demissão do trabalhador e/ou transferi-lo do setor para isolá-lo;
– pedir-lhe a execução de tarefas sem interesse e/ou não lhe atribuir tarefas;
– retirar seus instrumentos de trabalho (telefone, fax, computador, mesa, etc…);
– agredir o assediado somente quando o assediador e vítima estão a sós;
– proibir colegas de falar e almoçar com o trabalhador;

 

Perfil da vítima do assédio moral

– Trabalhadores com mais de 35 anos;
– Os que atingem salários muito altos, não se curvam ao autoritarismo nem se deixam subjugar e são mais competentes que o agressor;
– Saudáveis, escrupulosos e honestos, perfeccionistas, não hesitam em trabalhar nos finais de semana, ficam até mais tarde e não faltam ao trabalho mesmo quando doentes;pessoas que têm senso de culpa muito desenvolvido e aqueles que vivem sós;
– Pessoas que estão perdendo a cada dia a resistência física e psicológica para suportar humilhações;
– Portadores de algum tipo de deficiência ou problemas de saúde;
– Os que têm crença religiosa ou orientação sexual diferente daquele que assedia;
– Os que têm limitação de oportunidades por serem especialistas;
– homens em um grupo de mulheres e mulheres em um grupo de homens;
– Com relação às mulheres, acrescentam-se ainda:
· as casadas, grávidas ou as que têm filhos pequenos;

 

Perfil do Assediador 

Quem agride?
– Um superior (chefe) agride um subordinado. É a situação mais freqüente;
– um colega agride outro colega;
– um superior é agredido por subordinados. É um caso mais difícil de acontecer. A vítima vem de fora da empresa, tem uma
maneira de exercer a chefia, que o grupo não aceita. Pode ser também um antigo colega, que é promovido a chefe, sem que o
grupo tenha sido consultado.

Martha Halfeld Furtado de Mendonça Schmidt, em sua obra “O assédio moral no Direito do Trabalho”, apresenta o perfil do assediador (baseado em observações de trabalhadores):

Profeta – para ele demitir é “grande realização”. Gosta de humilhar com cautela, reserva e elegância.

Pit-bull – humilha os subordinados por prazer. É agressivo, violento e até perverso no que fala e em suas ações.

Troglodita – é aquele que sempre tem razão!

Tigrão – quer ser temido p a r a esconder sua incapacidade e necessita de público para sentir-se respeitado.

Mala-babão – é um“capataz moderno” que controla e persegue os subordinados com “mão de ferro”.

Grande irmão – finge ser amigo do trabalhador , mas depois de conhecer seus problemas particulares manipula-o  na primeira oportunidade.

Garganta – vive contando vantagens e não admite que seus subordinados saibam mais que ele.

Tassea (“Tá se achando”) – É confuso e inseguro. Dá ordens contraditórias. Se são feitos elogios ao trabalho, está sempre pronto para recebê-los; contudo, se é criticado, coloca a culpa nos subordinados.

 

Conseqüências do Assédio Moral

a) Perdas para a Empresa:
As perdas para o empregador podem ser resumidas em : queda da produtividade e menor eficiência; imagem negativa da
empresa perante os consumidores e mercado de trabalho; alteração na qualidade do serviço/produto e baixo índice de criatividade;
doenças profissionais , acidentes de trabalho e danos aos equipamentos; troca constante de empregados , ocasionando despesas com
rescisões, seleção e treinamento de pessoal; aumento de ações trabalhistas, inclusive com pedidos de reparação por danos morais.

b) Perdas para o assediado:
Dependendo do perfil psicológico do assediado e de sua condição social, sabe-se que sua capacidade de se rebelar contra o assédio moral no ambiente de trabalho é limitada, justamente por ser o empregado a parte mais fraca da relação. Surgem, então, empregados
desprovidos de motivação, de criatividade, de capacidade de liderança, de espírito de equipe e com poucas chances de se manterem
“empregáveis”.

Acabam por se sujeitar às mais diversas humilhações, adoecendo psicológica e/ou fisicamente. Uma das conseqüências mais marcantes do assédio moral é justamente registrada no campo de saúde e segurança do trabalho, pois, diante de um quadro inteiramente desfavorável à execução tranqüila e segura do serviço que foi lhe conferido, o empregado assediado sente-se ansioso,
despreparado e inseguro.
Em conseqüência, quando não é demitido pela baixa produtividade, aumentam os riscos de vir a sofrer doenças profissionais ou acidentes do trabalho.

 

Como deve se posicionar a vítima diante do assédio moral:
– Conhecer o que é o Assédio Moral e suas características;
– Distinguir do assédio moral outras tensões no trabalho como desavenças eventuais, “stress” e contrariedades; se constatado o assédio, deve reunir provas para a sua comprovação; denunciar o assédio moral aos recursos humanos, à CIPA e ao SESMT
(Serviço Especializado de Segurança e Medicina do Trabalho) da empresa, ao sindicato profissional e à comissão de conciliação prévia, se existente;
– não obtendo êxito quanto a essas últimas providencias, denunciar o assédio ao Ministério do Trabalho e Emprego e ao Ministério Público do Trabalho.

Como deve se posicionar o empregador (empresa) diante do assédio moral:
Se o empregado for vítima de assédio moral no ambiente de trabalho, a empresa será responsabilizada. Poderá a vítima requerer a rescisão indireta de seu contrato de trabalho, e, também, indenização por danos morais e materiais. Em razão, pois, de sua
responsabilidade, cabe ao empregador, diante da notícia de assédio moral, tomar as seguintes providências:
– diagnosticar o assédio,
– identificando o agressor, investigando seu objetivo e ouvindo testemunhas.
– avaliar a situação, através de ação integrada dos recursos humanos, da CIPA e de SESMT.
– buscar, através do diálogo, modificar a situação, reeducando o agressor. Caso isso não seja
possível, deverão ser adotadas medidas disciplinares contra o assediador, inclusive sua demissão, se necessária.
– oferecer todo o apoio médico e psicológico à vitima e, caso já tenha sido demitida, a sua readmissão.
– exige-se da empresa, em caso de abalos à saúde física e/ou psicológica do empregado, decorrentes do assédio,a emissão da CAT – Comunicação de Acidente de Trabalho.

Em caso de empresas de pequeno porte, em que o assediador pode ser o próprio empregador, somente a conscientização e a prevenção podem ser eficazes contra o assédio moral.

 

Ações preventivas da Empresa

Os problemas de relacionamento dentro do ambiente de trabalho e os prejuízos daí resultantes serão tanto maiores, quanto
mais desorganizada for a empresa e maior for o grau de tolerância do empregador, em relação às praticas de assédio moral. Por isso, é importante estabelecer o diálogo sobre os métodos de organização do trabalho, como fator de prevenção e reflexão.

Para conscientizar os trabalhadores é importante a realização de seminários, palestras e outras atividades voltadas à discussão do
problema.

A empresa deve, também, criar um código de ética que proiba todas as formas de discriminação e de assédio moral, que promova a dignidade e cidadania do trabalhador. A fim de tornar efetivas as disposições desse código de ética, devem ser criados na empresa “espaços de confiança”, representados, por exemplo, por “ouvidores”, que receberão e encaminharão as queixas sobre assédio.

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